quinta-feira, 10 de maio de 2012

Among the fields of barley

Once upon a time, she sent me a postcard saying that place was the most wonderful landscape she had ever been. She said it would be nice to have a nice partner to share with her that beautiful horizon and count how many colors the flowers may have there. The sky was very dark here when I got her card and all the stars were faded. Everywhere you looked around was so sad, but her card. Her smile in a picture inside the card could bring the brightness back to the sky, lightning up all the stars immediately! Then, a smile came in my face. 

All the songs I heard Sting singing came into my head and I got the Fields of Gold in my heart. I started singing it out loud, expecting she could hear it. Obviously, she couldn’t, but somewhere inside me it said that she would. And then I did it again. Again and again. 

Do you really know, girl, what the fields of barley mean to all this stuff? What about that smile? Is it for me? Oh, my piece of golden sky, you don’t know how much playing at these fields with seems like a delicious moment of eternity in life to me.

From this moment on, I’ll be trying to find you, wherever the stars point to you. I’ll give a bigger and brighter smile, so you can see it wherever you are. And I’ll be with you, so we can roll on the fields of barley and make all our fields of gold.   

sábado, 14 de abril de 2012

Pentelho egoísta

Foi numa dessas horas de paz interior aflorada que alguma coisa me incomodava. Por algum motivo, de cinco em cinco minutos era como se um reloginho tocasse na minha cabeça dizendo que é hora de fazer alguma coisa que eu não tenho a mínima ideia do que é. Eu olhava então fotos para ver se alguma ou alguém nelas me daria uma pista do que aquele pentelho chamado intuição estava dizendo para eu fazer nesse momento.

Esse ciclo se repetia devido a minha não insistência de tentar entender o que era, mas como todo bom pivete chato, o sentido não deixou meu pé, ficava ali fazendo cócegas infernais tentando me contar alguma coisa que eu realmente não conseguia entender o que! Bicho chato esse negócio chamado amor.
 
Ele não sabe o que quer, não sabe ser instrutor. Não ajuda a quem está incomodando nem incomoda quem quer que seja incomodado de verdade. Ele não te dá chaves para ligar o carro até o outro lado. Ele te manda fazer ligação direta e não lhe dá manual! Com o tempo, é possível que você aprenda e faça seu próprio guia, mas se não sair da primeira, ele também não te demite. Vai ficar em cima de você, indo e voltando até que você tenha feito alguma mágica acontecer e conseguido ligar os fios na cara e na coragem.

Felizmente ele te disponibiliza coisas interessantes durante esse tempo: momentos de viagem, numa profunda sensação de êxtase quando sente que tá dando certo. Tenho que admitir: é um bom patrão. Sabe incentivar.
Talvez seja um problema quando você tenta trabalhar em conjunto com seus colegas mais experientes: uns vão conseguir derrubá-lo de quaisquer intenções mais nobres. Outros vão criar de sua podre mente em devaneio um mapa para o sucesso. É interessante saber selecionar nos dois lados.

Enfim, depois que a ligação for feita, logo poderá receber uma promoção ou ser remanejado para outro setor. Das duas formas, você ainda terá um pentelho no seu pé. Só que dessa vez, estará mais feliz e já conhecerá as manhas para fazer a ligação em outras situações.

Seja como for, o amor é egoísta. Ele não gosta de ter como prata ou ouro quem ele via como diamante. E isso pode ser um grande problema se sua intenção é não perder aquela pessoa tão querida. Afinal, tê-la por perto mesmo querendo-a só para si pode ser melhor do que o risco de não tê-la de forma alguma depois de fazer uma aposta errada. Tem gente que diz que vale a pena arriscar. Queria eu saber jogar na bolsa!

Ainda assim, Nando Reis já dizia:

“Não sei se o mundo é bom
Mas ele ficou melhor
quando você chegou
E perguntou:
Tem lugar pra mim?”

terça-feira, 20 de março de 2012

O dia em que não deixaram o galo cantar


Num desses dias em que o sol apareceu no horizonte, forte como se fosse mil vezes mais esplendido do que o normal, o galo acordou meio que de ressaca, mas sabia que tinha um trabalho muito importante a fazer: dizer a todos os outros que já era hora de acordar. Num salto, pôs-se de pé e andou ciscando até um lugar mais alto. Chegando ao seu ponto estratégico, onde conseguiria um maior alcance com sua voz, ele se deu uns tapas como se quisesse acordar do sono que ainda estava o possuindo.

Deu uns pulinhos, aqueceu os pés, bateu um pouco as asas e se sentiu então pronto para realizar sua tarefa diária. Mal sabia ele que há muito alguns tramavam algo contra ele, e aquele sol lindo seria a deixa. Não poderiam ele ter aquele prazer de cantar para aquela bela obra divina que aparecia ao horizonte. Ele não iria espalhar para aqueles que estavam desacordados que aquela beleza toda estava ali para ser deslumbrada. Não mesmo. Os touros, as vacas, e principalmente os equinos não aguentavam mais aquela cantoria demasiada, por que já tinham passado da idade de ficar contemplando aquelas novas formas que o sol fazia todos os dias no horizonte. Estavam de saco cheio daquilo e não queriam deixar os pequenos perto do galo, porque achavam que ele seria uma péssima influência para seus rebentos. 

Decidiram eles pegar o galo, segurar pelo pescoço, e mantê-lo dentro de seus aposentos cagados até no feno. Ele não suportava a ideia de que logo mais os outros acordariam e teriam perdido tamanha beleza. Queria urgentemente avisá-los das tramas mirabolantes daqueles animais grandes, velhos e egoístas. Porém, ele estava atado e ameaçado por chifres, cheirando toda aquela merda que ficava ao redor daquele ambiente escuro e monótono. Na verdade, ele não estava preso, mas sim coagido a não sair dali. Não apertavam mais seu pescoço, só que aqueles olhares feiosos diziam que ele não deveria fazer aquilo, a não ser que fosse um louco varrido. Por sorte, ele era insano.

Num grito meio que bem bolado, chamou a atenção de seus pintinhos e de seus outros colegas galos, que fizeram questão de acordar todos os outros seres para que vissem o quão belo era aquela obra que aparecia sinuosa no horizonte. Ficaram deslumbrados os que estavam desacordados, alguns reclamaram de início, por terem dormido pouco, mas no final, todos viram como eram magníficas aquelas linhas feitas pelo astro rei ao longe. Os velhos animais de cascos não se sentiram nem um pouco confortáveis com aquilo. Era como se seu querido silêncio tivesse sido abalado e trouxesse ecos em seu lugar. Ecos para eles insuportáveis de admiração de uma coisa maior que o silêncio barulhento que havia sido imposto por eles. O galo havia cumprido a missão dele, e os filhotes dos animais do estábulo ficaram contentes com aquilo. Estavam ali, cantando junto com o galo e os outros, todas aquelas canções de quão fantástico era aquele momento. Aquilo nunca mais saiu de suas memórias. E continuaram cantando até mesmo depois que o galo pôs-se a dormir de vez.

domingo, 18 de março de 2012

Meet me in the pouring rain

Deixados alguns dias para se refletir sobre tudo que acontecia ao seu redor, o jovem garoto não sabia onde aquilo tudo iria parar. De início, disse um não brusco e que nunca mais queria ver aquela face novamente. No meio de sua jornada interior, seus caminhos foram muitas vezes desviados por novidades que nunca haviam pensado que poderiam existir. Achava ele que entre príncipes e princesas nunca havia existido uma história de dúvida. Nem de um nem de outro.

Voltou-se para os momentos iniciais. Olhou bem aquele rosto guardado em sua memória que, infelizmente, era impecável quando se tratava de coisas que não fossem forçadas. E definitivamente, aquilo não havia lhe sido forçado. Trocou suas companhias. Várias vezes. Pensou que uma só visão não enxergava o planeta a ser explorado por completo. E mais uma vez, infelizmente, ele estava certo.  Catou os fragmentos deixados pelos outros no caminho e tentou juntá-los como se fosse um só vaso, mas na verdade não passaria de uma colcha de retalhos muito feia quando a terminasse.

Enlouquecido pela estrada sinuosa, já não sabia se tinha voltado ao início de tudo mais uma vez, se tinha avançado bastante ou mesmo se tinha saído da trilha. Só tinha uma certeza: que havia surtado. E o que melhor os doidos fazem do que dizer o que veem? Sim, eles ouvem que são loucos e que precisam se tratar. Remédios das mais diversas formas e gostos foram receitados e se receitaram. Todos eles não eram suficientes para tirar a insanidade daquele moço. Somente uma coisa poderia restaurar seu estado de calmaria, e infelizmente, ele estava desventurando-se a ir para longe dele.

Sinceramente, não estava querendo ver aquilo como um remédio mais. Afinal, aquilo uma vez já havia lhe feito muito mal. Decidiu então tentar esquecer o que havia ocorrido, mas infelizmente, muitos daqueles olhos que haviam uma vez dado a visão além do alcance para ele faziam questão de lembrar que seria algo ruim ao oferecer o tal remédio a todo o momento. Loucos não podem com experiências passadas. Ainda mais se ainda lembram muito bem delas. Não se deve esfregar na cara de um surtado o motivo pelo que ele ficou desse jeito.

Por fim, conseguiu se enjaular num recanto, sendo muito, muito rude com tudo e todos os que esfregam essa merda na cara dele. Claro, ele resolveu que uma distância levaria a recuperação. Um dia ele voltaria a olhar para o céu e querer pintá-lo da mesma cor daquele um que ele voava cada vez que o via nos olhos do tão amado rosto. Aquele remédio amargo que ele não queria tragar finalmente se tornaria um delicioso néctar ou uma deliciosa ambrosia. Mas para isso, teria que se afastar. Esperar. E quando tudo melhorar e o céu estiver desabando emocionado, “Meet me in the pouring rain”.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

E alguém me disse “eu te amo”

Tarde estranha aquela que parece sábado. Sempre aquela leseira, uma sensação de nada pra fazer e um copo de alguma coisa do seu lado. No meu caso, um copo cheio de água para afogar o nervosismo e não dar chances ao pânico. A luz está conforme manda o figurino e o calor impera como um Dom Pedro II, calmo e cativante.

Não é a toa que nas tardes que parecem de sábado nós gostamos de passar com aqueles que temos melhores laços. Eu, por exemplo, adoro pedalar com meu irmão até lugares que vou muito pouco. Quando isso não é possível, converso com outros amigos e não puxo assunto com gente que não quero nem ver na minha frente até o dia que não pareça sábado! Mas como sábado ou quase ele não é título do texto, imagino que se pergunta: “quem foi essa?”

Foi a brisa, meu bem. Uma brisa tranquila que me fez palpitar o coração depois de uma sacada rápida. Aquela uma que você sente quando acha que fez algo certo e que dali em diante os ventos soprarão a favor! É como se aquela tarde vazia se preenchesse de cores estonteantes que nem o arco-íris poderia ser tão completo e cativante. As tempestades sumiram. Os cachorros se acalmaram e vieram tentar entender o que estava acontecendo.

Aquela brisa me deu uma amostra de uma coisa que eu não sentia há tanto tempo: um “siga em frente”. Alguma coisa nela me cheirava a coragem. Ela veio assim de repente e falou que deu aquele pulo no futuro e voltou correndo para me contar que o coração indicou o norte melhor do que a bússola! Olhei para o céu e confirmei: ela sabe o que diz!

Logo, senti que ela queria algo mais. Era muito fácil pra ela ir ali num instante futuro e voltar para dizer o que ia acontecer. Ela queria que eu a seguisse. Mas que para isso teria que ir construindo pedaço a pedaço do caminho para esse futuro. E para começar, teria que começar jogando uma pedra para ver até onde ia a profundidade. Passada a fase de reconhecimento inicial, a ponte seria construída mais fácil e chegaríamos do outro lado num belo piscar de olhos.

Chegando do outro lado, as maravilhas seriam reveladas e tudo o mais seria construído por lá. E nesse momento, a brisa sopraria “eu te amo”.