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Wikileaks - Cega, surda ou muda?

Há poucos meses Julian Assange, fundador do site WikiLeaks, estava preso em Londres acusado de “violência sexual”, por fazer sexo sem camisinha com duas mulheres. “O rapaz foi preso e eu não estou vendo nenhum protesto contra a [o cerceamento à] liberdade de expressão”, diz o presidente Lula em discurso no dia 9 de dezembro de 2010, quando apontava a contradição de uma parte da imprensa brasileira, que às vezes acusou o seu governo de atentado contra a liberdade de expressão no Brasil, mas não se opôs à prisão de Assange.

Essas e outras discussões muito atuais sobre a WikiLeaks, são constantes e vem gerando polemicas desde seu surgimento em outubro de 2006. A WikiLeaks é uma organização sem fins lucrativos, sediada na Suécia, que publica, em seu site, textos de fontes anônimas, documentos, filmes, fotos e informações confidenciais. Ou seja, se o governo tem alguma coisa que ele não queria que você soubesse, a WikiLeaks, arranja e publica. Uma parte da repercussão do WikiLeaks em todo o mundo deve-se à divulgação dos documentos sobre as guerras do Afeganistão e do Iraque e os despachos das embaixadas estadunidenses em todo o mundo.

Desde então, publicações geraram até prêmios (Media Award 2009). A fama do site só crescia, mas essa fama não durou muito. Em abril de 2010, o site divulgou um vídeo de uma operação militar dos Estados Unidos matando civis iraquianos, depois uma compilação de mais de 76.900 documentos secretos do governo estadunidense sobre a guerra e outros fatos que “irritaram” o governo estadunidense. Para piorar, em outubro, publicou um pacote com quase 400 mil documentos secretos (denominado “Diários de Guerra do Iraque”) e publicou 250 mil documentos (cables) de embaixadas estadunidenses um mês depois.

A casa caiu. O servidor responsável pela hospedagem do WikiLeaks cancelou com o site, e o EveryDNS responsável pelo domínio retirou do ar. Em dezembro as empresas Mastercard, Visa e Paypal, impediram que seus clientes fizessem doações ao WikiLeaks. Mas, isso não ia ficar “barato” assim não. Os hackers do grupo autodenominado Anonymous prometeram uma escalada da guerra virtual contra as empresas que cortaram os meios de financiamento ao site WikiLeaks depois da divulgação de mensagens diplomáticas americanas. Hackers do mundo todo se organizaram para “vingar” o fundador do WikiLeaks.

Muitos blogs, sites e vlogs comentaram sobre a possível “Primeira guerra cibernética”. Existiam também vários pontos de vistas diferentes, sites que apoiavam ou que criticavam, sempre indo mais para o lado das “politicas de transparências” (que são totalmente necessárias). É extremamente necessário que se haja transparência e liberdade de expressão, mas, quando essa expressão é “maléfica” e podem causar até “guerras”, ela se torna desvantajosa.

Mas o certo era que a transparência fosse lei (infelizmente no Brasil, não há uma lei que obrigue estado á publicar informações e documentos). Mas existem ONG’s como a Artigo 19 e a ANS que defendem a criação de leis de acesso à informação e de canais institucionais para a publicação de informações governamentais.

O mundo querendo combater a WikiLeaks é só o começo, daqui a pouco vão surgir 2, 3, 20 WikiLeaks diferentes por ai, foi apenas o primeiro passo, se continuar nesse ritmo, vai ser uma grande “vitória” da democracia.

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