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Ode ao tempo


Faltando alguns ciclos solares para completar mais uma primavera fico de olho numa lista com combinações grafais que identificam seres. Ao passo que muitos começam a se mostrar curiosos com o conteúdo, recebo a fama para mim e faço mistério, talvez para não feri-los ou porque apenas quero atenção mesmo. Afinal, que louco decadente e carente não quer um tanto de atenção? Acho que sou o único.

Na realidade, atenção é essencial. Mas não é de todos que a quero. Pessoas em especial preenchem positivamente nossas almas. Quaisquer outras, não. Pessoas quaisquer podem se tornar especiais e preencher nossas vidas, assim como pessoas especiais podem se tornar quaisquer, ou quase isso.

Pelos trilhos do trem-bala que vão do desconhecido ao que não se pode viver sem, diversos passageiros vão e vêm. Alguns descem num ponto e nunca mais saem de lá, outros ficam a todo o momento subindo e desembarcando em diferentes estações.

É nesse movimento de sanfona que o tempo toca a sinfonia da vida. Somos escravos dessa nossa invenção até descobrirmos que nós que o inventamos. Essa nossa percepção da mudança de tudo que há ao redor, que muitas vezes chamamos de remédio para todas as coisas, pode dominar ou ser dominada por qualquer um. Ou seja: você tem todo o material que precisa para curar aquele seu problema, mas ainda precisa olhar aonde esse problema está alojado.

Dessa forma, curar aquele buraco aberto por uma viagem inesperada para a estação do desconhecido pode ser mais fácil do que se imagina. Encontre seu ritmo. Viva a sua dança preferida, mesmo que para tal tenha que treinar por um longo período. Chame para fazer par contigo aquela pessoa que você não pode viver sem e faça com que essa música lenta não seja atrapalhada por aquele que deveria lhe curar as mágoas, mas que muitas vezes as cria.

Aos que leram, bom dia, boa tarde e boa noite.

Aos que entenderem, Bon Voyage!




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