Pular para o conteúdo principal

Num raio de Sol

Brota sempre do âmago do ser aquela plantinha feliz que mantêm viva uma esperança nunca antes vista. Aquela uma que cria novos projetos, que dá ideias, propõe futuros prósperos, cheios de amizades, encontros, acasos positivos e uma trilha reta para um sucesso previamente sentido. Que delícia ter em si aquela folha que brota numa primavera de novos sentidos para tudo, de cores, de anseios e de pessoas.

Numa sacada rápida percebe-se que essa planta precisa de algumas coisas para manter-se de pé. Primeiro: água. Não há possibilidades de manter essa esperança viva se não tiver algo que lhe dá água na boca na hora que pensa ou fala sobre ela. Essa coisa pode ser uma ou mais pessoa(s), objetivo(s) ou até mesmo aquele tão aguardado dia. Aquela viagem com a qual você sempre sonhou, aquele seu amigo que há muito não vê e que morre de saudades mesmo falando com ele todos os dias por telefone ou via rede, ou aquele seu amor que você aguarda todos os dias na porta da sala para receber com um abraço apertado, um grande beijo e um momento de felicidade plena que ninguém consegue lhe tirar.

Segundo: terreno fértil. Não se deixe enganar: se você joga pedrinhas ao seu redor, nada brotará dessa terra. Nada que preste, ao menos. Começar com uma adubação cheia de pensamentos positivos é o que há. Não te prejudica em nada ouvir a voz do coração e lançar as sementes onde ele avisa que dará bons frutos. Verá que sua colheita será tão doce quanto a melhor das framboesas silvestres. Caso não seja doce o resultado, ao menos o sabor lhe será agradável, assim como a textura e suas cores.

Terceiro: Acabe com as ervas daninhas. Sentiu que algo ou alguém está te causando confusão, aprenda a selecionar o que vem daí e separe o joio do trigo! Você não precisa levar tão a sério o que os outros dizem sobre você ou suas escolhas. Muitas vezes elas só queriam poder ser tão livres quanto você, mas não conseguem, e nesse momento tentam te prender por estarem frustradas. Mostre a elas como se tornarem belas plantas e não mais ervas descartáveis.

Por último: saia ao Sol! Não se esconda das coisas belas pensando que não é digno delas. Elas estão ali para serem admiradas e para serem conhecidas. Faça de você também uma coisa bela. Seja seu Sol, antes de qualquer coisa. Ilumine seu caminho até o futuro próximo. Aquele um que vira presente a cada 10 minutos. Não fique muito vidrado com aquele que ainda não veio e você não pode determinar. A cada dia o Sol se põe com a promessa de nascer de novo, diferente, no outro dia. Se você amanhecer nublado, curta sua chuva e faça crescer sua planta. Nasceu esplêndido hoje? Brilhe como se nunca mais fosse nascer de novo e finalize o seu dia dizendo que iluminou amores, paixões, amizades e que ainda assim conseguiu emprestar sua luz a uma Lua qualquer que precisava de uma forcinha. Cresça plantinha! E deixe que mais uma vez o teu sol te ensine a dançar aquele soneto que só vocês sabem tocar e nenhum outro maestro saberia ao certo lhe dizer como é que se dá.
 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A caixa pálida

Era de tardezinha quando Arthur estava sentado pensando na vida. Naquele mesmo dia ele já havia lido pelo menos 3 jornais diferentes, buscado informações em algumas fontes alternativas e traçado um plano para sua próxima viagem, cujo destino ainda teria de ser escolhido. Ele não estava ligando para onde ia, apenas queria muito sair daquele lugar desgovernado e ver aonde iria chegar. Seus planos sempre eram à prova de pontas soltas. Ele diz que está sempre pronto para a guerra. Tem comida, água, roupa extra, quase todos os materiais de escritório do MacGyver, um treinamento intensivo nas antigas artes orientais da medicina e da meditação, preparo físico para vencer os desafios e a preguiça, além, é claro, de uma mão de ferro quando se trata de dinheiro. Para que alguma coisa desse errado, teria que escapar a sua cara de pau e curiosidade, pois também não tinha muito medo de gente, a menos que fosse uma grande ameaça a sua integridade física ou financeira, já que o sangue já par...

Limpeza

Depois de uma farra das mais estranhas dentre as que já me meti, só queria duas coisas: uma cura para a ressaca e uma faxina mágica na minha casa. Mas como é mesmo que eu fui parar ali?   Estava tão empolgado com tudo que vinha dando certo até agora que resolvi comemorar. Era muito bacana a ideia de sair e celebrar com um amigo esse momento tão fantástico que eu estava vivendo. O esquenta começou em casa mesmo. Não demorou muito pra que já estivesse embriagado e fazendo besteiras. Mas até aí tudo bem, dentro de casa era tranquilo.  Foi então que estava suficientemente tonto ao ponto de ser corajoso e sair. Fizemos isso numa velocidade espantosa e, de repente, parecia que eu tinha entrado de penetra numa festa trash. De início, ainda empolgado com a coragem que tinha conseguido com aquele porre inicial, parecia tudo novo e cheio de opções. Mas logo mais a onda foi acabando, a grana foi junto e com tudo isso a graça também. Era, definitivamente, um filme de terr...

Caminhos e ladrilhos

Escrevi este texto na minha cabeça enquanto caminhava pelo campus mais lindo do mundo, aproveitando cada instante, cada sensação, cada pequena onda que os filhotes de pato faziam na lagoa próxima do meu local favorito daqui, que é por onde passo quando meu coração pede calma e minha alma quer se aconchegar no som do silêncio. Comecei pouco depois de chegar na árvore que chamo de minha. Ela estava lá, frondosa, mas com menos folhas e galhos do que me lembrava. Prestei atenção nos caminhos que suas raízes faziam e como elas se conectavam com a terra e com as raízes de outras árvores. Como algumas partes delas estavam expostas. E ali, por onde uma delas passava, estava um caminho ladrilhado, no meio do matinho. Naquele exato momento me lembrei da professora Iacyr falando sobre os caminhos e os ladrilhos. Exatamente aqueles que estavam na minha frente! Ela disse uma vez que os costumes são como os caminhos e que as leis são como os ladrilhos: primeiro a gente abre a passagem po...