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Virada Russa


Num frio de matar
estava aquele velho a rezar.
Contava as horas,
os minutos, até os dias
sem cessar

Chegou o trem,
ele perdeu.
Olhou para trás
e notou no que deu.
Contagem infinita,
escravocrata,
sem dó nem vontade de avançar

Foi-se outro trem
ele pirou.
Contou quanto faltava para o outro.
Já não queria saber.
Estava só e nenhum de nós
sabe ao certo onde fica o fim da linha.

Foi então que lá do fundo,
profundo e obscuro,
surgiu aquela luz.
Não era lanterna,
nem lamparina.
Não era o trem,
nem o metrô.
Não era vagalume,
nem mesmo fogos de artifício.

Era o Sol, meu bem.
Um Sol que não ardia para queimar,
mas sim para quebrar o encanto que o gelo trouxe.
Para que as contas do tempo sumissem.
Para que o velho jovem de novo fosse.

Sorriu uma vez, duas,
até três com hesitação.
Mas depois que te viu, meu bem,
você, aquele Sol que eu pedi a quem,
seja ele quem for,
a primavera criou cor
no mais profundo inverno
que escondeu o amor.


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