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E alguém me disse “eu te amo”

Tarde estranha aquela que parece sábado. Sempre aquela leseira, uma sensação de nada pra fazer e um copo de alguma coisa do seu lado. No meu caso, um copo cheio de água para afogar o nervosismo e não dar chances ao pânico. A luz está conforme manda o figurino e o calor impera como um Dom Pedro II, calmo e cativante. Não é a toa que nas tardes que parecem de sábado nós gostamos de passar com aqueles que temos melhores laços. Eu, por exemplo, adoro pedalar com meu irmão até lugares que vou muito pouco. Quando isso não é possível, converso com outros amigos e não puxo assunto com gente que não quero nem ver na minha frente até o dia que não pareça sábado! Mas como sábado ou quase ele não é título do texto, imagino que se pergunta: “quem foi essa?” Foi a brisa, meu bem. Uma brisa tranquila que me fez palpitar o coração depois de uma sacada rápida. Aquela uma que você sente quando acha que fez algo certo e que dali em diante os ventos soprarão a favor! É como se aquela tarde vazia s...

Virada Russa

Num frio de matar estava aquele velho a rezar. Contava as horas, os minutos, até os dias sem cessar Chegou o trem, ele perdeu. Olhou para trás e notou no que deu. Contagem infinita, escravocrata, sem dó nem vontade de avançar Foi-se outro trem ele pirou. Contou quanto faltava para o outro. Já não queria saber. Estava só e nenhum de nós sabe ao certo onde fica o fim da linha. Foi então que lá do fundo, profundo e obscuro, surgiu aquela luz. Não era lanterna, nem lamparina. Não era o trem, nem o metrô. Não era vagalume, nem mesmo fogos de artifício. Era o Sol, meu bem. Um Sol que não ardia para queimar, mas sim para quebrar o encanto que o gelo trouxe. Para que as contas do tempo sumissem. Para que o velho jovem de novo fosse. Sorriu uma vez, duas, até três com hesitação. Mas depois que te viu, meu bem, você, aquele Sol que eu pedi a quem, seja ele quem for, a primavera criou cor no mais profundo inverno que escondeu o amor.

Num raio de Sol

Brota sempre do âmago do ser aquela plantinha feliz que mantêm viva uma esperança nunca antes vista. Aquela uma que cria novos projetos, que dá ideias, propõe futuros prósperos, cheios de amizades, encontros, acasos positivos e uma trilha reta para um sucesso previamente sentido. Que delícia ter em si aquela folha que brota numa primavera de novos sentidos para tudo, de cores, de anseios e de pessoas. Numa sacada rápida percebe-se que essa planta precisa de algumas coisas para manter-se de pé. Primeiro: água. Não há possibilidades de manter essa esperança viva se não tiver algo que lhe dá água na boca na hora que pensa ou fala sobre ela. Essa coisa pode ser uma ou mais pessoa(s), objetivo(s) ou até mesmo aquele tão aguardado dia. Aquela viagem com a qual você sempre sonhou, aquele seu amigo que há muito não vê e que morre de saudades mesmo falando com ele todos os dias por telefone ou via rede, ou aquele seu amor que você aguarda todos os dias na porta da sala para receber com um a...

Capra - If I Was

Da série "Bandas pouco conhecidas que merecem ser reconhecidas"

Eu só queria te contar...

...que numa noite dessas, essas assim quietas e com aquela cara de chuva triste, quase uma November Rain, eu estava tranquilo até que me apareceu algo para abalar minha confiança impecável. Esse algo era alguém. Daquele momento em diante, eu tive que fazer aquela escolha mais pesada de todas: arriscar ou me esconder? Minha opção mais comum seria a segunda, assim como fiz diversas vezes. Mas não dessa vez. Contei o que acontecia a cada vez que via, ouvia ou até mesmo assimilava a presença dela, que as pernas, os braços, as mãos, tudo tremia. Que o carmim tomava conta de meu rosto quando me perguntavam o que eu sentia. Que aqueles olhos me encantavam de tal forma que o dia se tornava improdutivo quando os via. Que ela não era só um cometa, mas o astro para realinhar minha órbita. E o telefone tocou. Mais de uma vez. Com conversas curtas que durariam a eternidade para mim. Não do modo negativo como pensam, mas sim aquela que só os que amam conhecem. Aquela que se esconde no momen...

Ode ao tempo

Faltando alguns ciclos solares para completar mais uma primavera fico de olho numa lista com combinações grafais que identificam seres. Ao passo que muitos começam a se mostrar curiosos com o conteúdo, recebo a fama para mim e faço mistério, talvez para não feri-los ou porque apenas quero atenção mesmo. Afinal, que louco decadente e carente não quer um tanto de atenção? Acho que sou o único. Na realidade, atenção é essencial. Mas não é de todos que a quero. Pessoas em especial preenchem positivamente nossas almas. Quaisquer outras, não. Pessoas quaisquer podem se tornar especiais e preencher nossas vidas, assim como pessoas especiais podem se tornar quaisquer, ou quase isso. Pelos trilhos do trem-bala que vão do desconhecido ao que não se pode viver sem, diversos passageiros vão e vêm. Alguns descem num ponto e nunca mais saem de lá, outros ficam a todo o momento subindo e desembarcando em diferentes estações. É nesse movimento de sanfona que o tempo toca a sinfonia da vida. So...

Ser "pronomeno"

Certa vez me vi numa conferência internacional: flashes para todos os lados, pessoas correndo atrás de furos de reportagem e gente do mais profundo requinte intelectual. Até que um desses inicia uma pergunta referindo-se a mim utilizando um pronomede tratamento. É quando eu o interrompo e digo: "me chame de Lucas, por favor. Não há respeito maior para uma pessoa do que ser chamado pelo nome. Fora isso ou é bajulçação ou é afeto". Foi aí que acordei. Minhas conferências imaginárias com a rainha e com Steve Jobs são incontáveis e de temas diversos. Mas não me lembro de me referir a eles com pronomes que nos afastam. Já que, de fato, pronomes aumentam aquela fenda que existe entre as pessoas de extratos diferentes. Eles são cruéis, gananciosos e perigosos. Piores que os títulos. Segregam de forma involuntária e também voluntária. Podem ser egoístas, falsos autruístas ou até mesmo o centro do universo. Mas ainda há salvação. Todos nós somos um você. Somos ela. Somos ...