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Postagens

Mensagem para você

Já era quase de madrugada. Ao redor da sala, tudo escuro. Aqui dentro, LEDs piscavam e permaneciam imóveis o tempo inteiro. Eram sinais de fumaça da era pós-analógica. Quem dera fossem no meu celular. Era só meu modem mesmo. Ao lado da TV, meu subwoofer subutilizado por medo dos vizinhos ficarem incomodados ao ponto de sermos expulsos logo no primeiro mês depois da mudança. Ele emite luz azul, algo que poucos sabem, mas serve para acordar a pessoa no meio da noite. Mesmo que seja para ficar acordada enquanto dorme, pensando em tudo aquilo que passou ou que não se viveu durante o dia e o que pode estar por vir. E tantas são as coisas que estão por vir... Que péssimo jeito de ficar desperto. Enquanto me empenhava em criar as oportunidades, os LEDs piscavam de outro lado. 'Mensagem para você'. Não era para mim, mas para outras pessoas com quem eu tentava interagir. Um vácuo digno do delay de mensagens entre Tom Hanks e Meg Ryan. Não estamos mais na mesma época do filme, t...

Já faz meia hora

Abri o editor de textos. Já fazia meia hora que estava parado emburrado. A única coisa que me vinha à mente era uma música da Adriana Calcanhoto. Aquela que fala da meia hora. "Você tem meia hora pra mudar a minha vida. Vem, vambora." Não me pergunte por quê. Fiquei esperando a inspiração chegar. Vi que não estava chegando. Forcei a barra. Há um mês eu tenho forçado a barra. E já faz meia hora. Não é uma questão simples. Tenho tanto entalado aqui dentro. Pensei que escrevendo conseguiria soltar. O problema é que não consigo colocar esses sentimentos em palavras. Não é entendível o que estou sentindo. E já faz mais meia hora. Se a Adriana estiver correta, em meia hora minha vida pode mudar. Como tem mudado de meia em meia hora. O humor, o amor, a raiva, o desespero, todos os sentimentos e todas as emoções vêm no campo das ideias, mas não conseguem sair verbalmente. E nisso tudo, só tenho meia hora. Meia hora. Meio humor. Meio tom. Meio pombo. Meios. Quais ...

"Você é do tamanho que pensa que é"

Já ouviu a frase acima? Já leu em algum post, viu em algum filme ou tem uma remota recordação de algum dizer semelhante? Essa frase me apareceu numa postagem do Instagram, feita pelo Rud (um dos meus dois sobrinhos adotados, pessoas que me chamam carinhosamente de tio, apesar de eu não parecer). Na imagem, um sujeito de terno com estatura aparentemente mediana; atrás dele está algo como o Hulk, algo em potencial. O Hulk bem maior, claro. E isso me fez pensar muitas coisas... Gostaria de dizer, antes de qualquer outra coisa, que eu me considero um sujeito de baixa estatura. Por volta de 1,70 m quando acordo e 1,695 m ao longo do dia, quando a gravidade faz sua mágica. Quando vejo gente com mais de 1,80 já fico um pouco acanhado, porque vejo essas pessoas grandes e proporcionais com admiração por algo que nunca poderei ser. Anatomicamente falando, já foi minha época de espichar. Geneticamente falando, estou condenado a ser 'um Little aqui, um Little lá'. Isso me deixa um p...

"Boa tarde, Matheus"

A história de hoje é sobre um cara que eu conheci aqui em casa há mais ou menos um mês. Algumas coisas em comum, mas como somos diferentes! Matheus é um cara bacana. Menino pacato, estudante de Direito, ele mora num apartamento alugado pelos pais num lugar super bem localizado para que ele tenha conforto e consiga estudar em paz, sem se preocupar com barulho de festas, bagunça desnecessária ou qualquer coisa que possa atrapalhar o bom rendimento nos testes pelos quais ele tem que passar diariamente neste mundo jurídico cheio das interpretações, letras de lei e correntes doutrinárias, coisas que importam e caem na prova dos concursos. A propósito: Matheus é mesmo um cara que estuda. Mas ele sabe ser objetivo e estudar realmente o que faz sentido estudar: questões jurídicas. As críticas que ele faz ao curso é que os professores embalam em algumas coisas que não têm nada a ver e que não vão importar na hora que o examinador te pedir para responder uma questão objetiva. Esse negó...

Cargas desnecessárias

Alguma vez já abriu a sua mochila ou bolsa e percebeu que tinha um monte de tranqueira que você não utilizaria naquele momento, mas que mesmo assim você carrega consigo porque "pode ser que eu precise"? Será que já aconteceu de você se arrepender de ter carregado aquele peso todo por nada depois de um tempão fazendo um esforço a mais para isso? Eu já. Dói as costas e machuca os ombros. E aquilo fica martelando na cabeça até você conseguir se livrar daquilo (e se perdoar por ter carregado aquele monte de entulho por tanto tempo, sendo que não faz sentido algum). Durante o final de semana, fui tirar fotos de uma amiga e carreguei minha mochila cheia de coisas. Tinha de tudo: toalha, caderno, protetor solar (que abriu e fez lambança), dois óculos, fones de ouvido, agenda, estojo, entre outras mil coisas que eu poderia listar, mas que não fazem a diferença. Cheguei lá e coloquei minha mochila na cadeira enquanto nos preparávamos para sair. Quando estávamos partindo, coloquei a...

Juliet

It was saturday afternoon (...) Sim, assim começou esta história. Meu eu em inglês pensava num romance policial que só poderia ser escrito naquela língua. Se mais frases assim aparecerem daqui para frente, saiba, car@ leitor@, que pode ser uma das minhas várias personas se manifestando sobre o ocorrido. O que importa é que, de agora em diante, é uma história verdadeira. Não em sua trajetória, mas em seu conteúdo emotivo. Juliet é uma das várias histórias que quero contar com nomes que fazem sentido para mim e minhas personas, mesmo que sejam apenas nomes fictícios para dar personas a pessoas que existem de verdade. Tentarei negociar com essas figuras para que tudo fique o mais compreensível possível, já que seria humanamente impossível entendê-las fora do meu contexto.  Se me permite, vou retomar a narrativa. Agora em outra língua. (...) estava escuro no quarto. Propositalmente escuro. De alguma forma, aquele clima artificialmente produzido ajudava a colocar os pensame...

Mando nudes.

Eu sei, o título é comprometedor. As imagens mais ainda. Este texto inteiro pode causar um alvoroço. Mas não seria eu se dissesse que não está tudo bem. A verdade é que o mundo (digital, principalmente) tem ficado tão chato que essas coisas acontecem e aparecem toda vez que o somatório do tédio acumulado ultrapassa a força da razão coletiva. Ou seja, numa escala digna de Schopenhauer, a longo prazo, todos estaremos nus. Me chamou a atenção um vídeo postado pelo Mark Hewes no canal Vlogue e a repercussão que surgiu a partir das cenas dele posando nu (coberto por balões) no início. Muitos comentários sem noção dizendo “onde está o conteúdo?”, “só usa o corpo para aparecer”, entre outras formas incisivas de criticar a presença do seu corpo nu num vídeo do YouTube. Algo que, como conversamos depois, ninguém deve querer ver na vida, né? A nudez deve ser algo extremamente abominado pela sociedade, não é mesmo? Vamos perguntar para as propagandas de cerveja. Por que a nudez, ...